Para lá das estradas de sobreiros e da paisagem que se ondula à passagem do olhar antes de tocar a costa, entre a fina areia de cor clara e caminhos que levam até ao mar por entre a fina poeira e o aroma que cobre os montes, entre o peixe na brasa do terraço que se ilumina com o azul intenso na baía e o pão da manhã que desperta com as primeiras impressões da ondulação, entre o primeiro café do dia no mais que provável local do costume e o sol que desiste de dar brilho à tarde e se deita para que o jantar ganhe novas cores, entre sabores do mar e a água salgada que permanece na mais absoluta pureza de cor, cheiro e paladar, entre horizontes vastos e praias que permanecem desocupadas, entre a água que é projectada numa mudança de trajectória e o abandono ao sol, entre flatadas adivinhadas e 2,0m inesperados, entre a onda que permanece na retina e se prolonga na memória e alguns "baldes" vigorosos, entre a beleza do campo que toca a espuma oceânica e o negro do céu coberto de estrelas sem fim, entre palavras que não conhecem pressa e a calma absoluta, entre pessoas e o abandono silencioso à cadência da ondulação, entre a magia do instante em que a prancha é arrancada ao movimento dos braços pelo poder de projecção da onda e a água que passa sobre os pés durante os momentos em que mar parece oferecer-se e se deixa desfrutar, entre noites de havaianas e dias de pé nu, entre o sol que queima e as cores que se intensificam com o desaparecer dos raios de luz, entre a quase suspensão do tempo e a vida mais intensa, é a Sul que todos os anos a alma se renova e os sorrisos renascem de um brilho solar.



iv