quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Uma hora (e pouco) no Mercado

Mercado de Vila da Feira, Fernando Távora, 1953.


Távora, 18h00

Convento das Irmãs de Calais, ao cair do pano dos dias que vão sendo cada vez mais o espaço da noite.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A cidade num novo despertar

No dia em que a hora muda, o sol desperta (de novo) e parece querer desafiar o movimento dos dias que encolhem. E eis que, com a luz que preenche o espaço, renasce a alma do mundo. E das pessoas, que voltam a habitar no exterior.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

E assim vai o tempo presente

Façam macumba, realizem feitiço, lancem cartas, dediquem-se a bruxaria, invertam o curso da história, façam os computadores crashar, bloqueiem a internet e o tráfego aéreo, rebentem com os modelos matemáticos de previsão da meteorologia, mas parem com isto! Cancelem a chuva! É pedir muito?

...de qualquer modo, no meio de tudo, é uma grande música. Para ficar a ouvir. E desfrutar.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A realidade em cores de Wenders

Demasido complexo. Há mundo desse modo. Oculto, não revelado. Essa vida esconde-se? Disfarça-se? Não se mostra na totalidade, é certo! Nem se faz entender. Num jogo de palavras e imagens, desafia o tempo e o entendimento. E ela - a vida - move-se ao lado deste - do tempo -, acompanhada. Melhor seria que assomasse à janela e se mostrasse, completa, total. Como o sol que nasce todas as manhãs, só para fazer vibrar os dias. O que seria se também este se mantivesse atrás de imagens que o representassem ou de palavras que o codificassem? Poderia o dia nascer a partir de uma fotografia dos raios solares ou de uma frase que os descrevesse? Impossível!

Aforismos roubados

Penso que a arquitectura é uma questão de transformação. Transformação de todas as situações adversas em condições favoráveis.

Balkrishna Doshi (1927), arquitecto indiano

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Música do dia

Estradas percorridas?
O território, ilimitado, como cenário?
Tudo tragicamente desolador: as pessoas, as relações humanas, as vidas, a paisagem, os ambientes?
Sim, comprovadamente.
Mas a música é imensa. E, por entre as imagens, a poética sobrevive a tudo isso. Como a diferente realidade da vida. Pacificadora.




terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sempre presente, como companhia

Acordava a meio da noite com a certeza do mar a chamar-me através das persianas fechadas, voltava a cabeça na direcção da janela e sentia-o a olhar para mim conforme o som dos pinheiros a olhar para mim (...).

António Lobo Antunes, in Não é meia Noite Quem Quer

Continuamente, em movimento, sem paragem

O exercício deliberado da escolha - tomada de decisões - é a actividade central da existência. Quanto mais um organismo vê multiplicarem-se as ocasiões de exercer uma escolha, mais alto se coloca na hierarquia da vida (...). Estar vivo é tomar decisões.

Hassan Fathy (1900-1989), arquitecto egípcio


Da prateleira para casa, o último Ben Harper

...com o título homónimo.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Fantasias...

...ou o destino (do país).

Inspirações

A empatia com a cidade produz-se a partir do inesperado. Pequenas coisas, surpreendentes, chamam a atenção, numa qualquer encruzilhada urbana. A surpresa interpela, é desafiadora, convoca os sentidos e a imaginação. A imagética urbana é rica. Nunca é estéril. Pobre. A cidade é inspiradora. Inspira-te!

domingo, 21 de outubro de 2012

Música do dia... ou das Mil e Uma Noites...


Porque gosto de publicidade



É hoje, agora.

Na manhã de domingo que corre, já instalada há horas, há mundo para conquistar lá fora. Calmamente acordam-se os sentidos. A dolência inspiradora do ar cizento, que se fixa em cada fragmento do ar, convida para o matinal café deste dia em que parece que nada se move. O domigo é assim. Mas o café é bom.



sábado, 20 de outubro de 2012

Palavras do dia (de ontem)

Eu não procuro nada em ti,
nem a mim próprio, é algo em ti
que procura algo em ti
no labirinto dos meus pensamentos.

Eu estou entre ti e ti,
a minha vida, os meus sentidos
(principalmente os meus sentidos)
toldam de sombras o teu rosto.
 

O meu rosto não reflecte a tua imagem,
o meu silêncio não te deixa falar,
o meu corpo não deixa que se juntem
as partes dispersas de ti em mim.

Eu sou talvez
aquele que procuras,
e as minhas dúvidas a tua voz
chamando do fundo do meu coração.


Manuel António Pina

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Aforismos roubados

Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas. Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo. Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam.

  Padre António Vieira, in Sermão do Bom Ladrão

Lá fora, na cidade

É o tempo que arrefece. Lá fora, já o conforto da manhã se foi. Onde pára? Para onde se move? Onde encontrá-lo. São dúvidas que as mãos não temem. Continuam. Permanecem. E não por obrigação, que o trabalho não reclama para além do papel que lhe é deixado. A vida não vive no seu espaço e nos seus limites. Não se deixa aprisionar. Vive livre. E livres são as mãos, que se sabem confortáveis. Não pela temperatura, que essa parece querer baixar, mas pelo sol que ainda brilha. E esse sol à solta ainda ilumina a rua, a cidade, os sorrisos, a essência da vida. Ainda vive. Ainda acompanha os passos dos pés que se movem. Mesmo se o frio toca as mãos. Sobretudo, se o frio toca as mãos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012