sábado, 8 de setembro de 2012

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Quinta do Vallado - o ciclo do vinho


À saída de uma curva, aparece, exposto na paisagem, o conjunto composto pelo lagar e a adega. Pouco revela. As paredes são de xisto, como os patamares que produzem a uva que termina o seu tempo de vida pelo pisar de homens que entoam cantares tradicionais, para que a tradição viva, ou, numa versão menos nostálgica, pelos robots que percorrem as modernas cubas de inox ou de carvalho, mais sintonizadas com a dimensão da produção actual e o ambicioso controlo de qualidade que a condiciona. Mais à frente o hotel. Os materiais são os mesmos e é também o mesmo o cuidado ao tocar a paisagem, com respeito por anos de alteração do território na busca de um equlíbrio sensível entre a natureza, o engenho e o sentido de beleza humanos. A subida da encosta conduz até ao lagar. O pecurso já no interior faz uma viagem pelas diversas etapas do ciclo que apaixona como uma arte, ainda que possua o rigor dos métodos de um cientista. Tudo em volta seduz. A atmosfera, os aromas que se soltam no ar, a temperatura, a humidade, a luz, a expectativa de como será o toque da invisibilidade que envelhece em cascos de carvalho francês. E é ao desvendar esse mistério que termina o percurso interior que se desnrola por escadas que têm tanto de belo como de misterioso. Esse momento final acentua o sentido dos passos percorridos, dos olhares retidos em cada detalhe, da informação saboreada, de cada experiência sensorial. Em cada copo, muito mais do que vinho. É esse o sentido do vinho produzido nas encostas do Douro.

Régua, 2012







quarta-feira, 5 de setembro de 2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

domingo, 2 de setembro de 2012

Portugal é enorme

Com todos os caminhos da vida quotidiana a afastar-se atrás de cada curva avançada em estradas percorridas ao ritmo lento, mas determinado; depois de os sentidos se moldarem a um novo estado de viver; com o relógio a acertar-se pelo tempo da alma; e com o olhar a encaixar-se no vale encaixado do rio, a paisagem surge. Surge pura, grandiosa, imponente, mas amável. A autoridade tectónica que a moldou por anos a produzir vinho e a resistir ao tempo é suavizada por cada serpentear da água. A beleza é aumentada pelas curvas desenhadas com vinha. A sensualidade dos patamares de xisto, construídos com delicadeza, deixa o olhar e o corpo apropriar-se da paisagem.  Como se esta quisesse oferecer-se para ser desfrutada. Não se impõe: deixa-se descobrir com a cadência própria de quem tem tempo para permanecer e se adaptar ao lugar sem pressas. Porque importa permanecer. Ser telúrico.
O Douro é assim.

Mesão Frio, 2012

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Vespa Girl

De rua em rua, de avenida em avenida, de parque em parque, de esplanada em esplanada, icónica como no cinema sabe ser, porque a cidade é o seu espaço. Keep riding!

O céu de impossibilidade

Sob o céu e longe da lua, as cores de final de tarde vestem-se de impossibildade cromática. Única.

Dias de Verão

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Debaixo do sol, a vida

Figueira, há um par de momentos atrás.



Digo para ver e muito mais

Digo:
"Lisboa"
(...)
Digo o nome da cidade
- Digo para ver

Lisboa, Sophia de Mello Breyner Adresen








Mais do que o encontro da terra com o mar

" 'De manhã, enquanto o João desenhava a praia da Arrifana - uma ampla cave talhada na rocha negra, que protege do vento, e onde por vezes surge a esteva verde -, eu lia as Prosas Apátridas de Júlio Ramón Ribeyro e as palavras ecoavam no que estava à nossa frente. Neste livro magnífico, o escritor peruano escreve que 'quando bebemos mudamos simplesmente de lente e recebemos do mundo uma imagem que tem, em todo o caso, a vantagem de ser distinta do real. Nesse sentido, a embriaguez é um método de conhecimento. A embriaguez moderada, aquela que nos afasta de nós mesmos sem nos abandonar'."

in Tanto Mar, Pedro Adão e Silva.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Revisitando Tomas

(...) A vida humana só acontece uma vez e nunca podemos verificar qual era a boa e qual era a má decisão porque, em toda e qualquer situação, só podemos decidir uma vez. Não nos é concedida nem uma segunda, nem uma terceira, nem uma quarta vida para podermos comparar as diversas decisões.

 in A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera.

domingo, 19 de agosto de 2012

De volta à rua...

...com o ar na cara.

Back in town

...mais uma noite de "Jazz ao Quebra". Brilhante.

Porque gosto de belas imagens

...e porque a beleza da vida está na simplicidade do que é mais absoluto. Sem complicar. É esse sentido que permanece na Arrifana. Desde 1998.

sábado, 18 de agosto de 2012

Vamos lá.

...e foi assim...

Balloon Chain - SW' 12

O céu que se anima por correntes de luz que cedem ao vento que faz a noite ondular, na presença redonda da lua.

Arrifanando

A noite e o dia (tal como) são! São em conjunto, o anoitecer pertence ao dia que já foi, porque, simplesmente, aqui o tempo passa devagar e permanece. O dia é, é longamente e projecta-se para lá do momento em que se extingue, e renova-se a partir das horas que lhe sucedem numa noite que demora a ser. A noite não quebra o ritmo dos dias, mas transporta até um novo dia que se sente a ser sem a pressa dos ritmos estranhos ao local. Aqui o tempo é outro. Aqui o tempo não conhece rotinas e agitação. Aqui o tempo é meu. Aqui.
 

Inscrições Vicentinas