segunda-feira, 19 de novembro de 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

O Princípio de Habitar

Corpo num horizonte de água,
corpo aberto
à lenta embriaguez dos dedos,
corpo defendido
pelo fulgor das maçãs,
rendido de colina em colina,
corpo amorosamente humedecido
pelo sol dócil da língua.

Corpo com gosto a erva rasa
de secreto jardim,
corpo onde entro em casa,
corpo onde me deito
para sugar o silêncio,
ouvir
o rumor das espigas,
respirar
a doçura escuríssima das silvas.

Corpo de mil bocas,
e todas fulvas de alegria,
todas para sorver,
todas para morder até que um grito
irrompa das entranhas,
e suba às torres,
e suplique um punhal.
Corpo para entregar às lágrimas.

Corpo para morrer.

Corpo para beber até ao fim -
meu oceano breve
e branco,
minha secreta embarcação,
meu vento favorável,
minha vária, sempre incerta
navegação.


Eugénio de Andrade, Corpo Habitado

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Uma eficaz gestão do espaço?

Para ver e reflectir: http://www.wimp.com/vegetablemarket/

Hardy como foto do dia


Música do dia

Scooter(ing)

A cidade, o scooter e a mulher. A sensualidade desta, intensificada pela segunda, nos espaços que a reforçam.

sábado, 10 de novembro de 2012

Música do dia - 50 anos!

Obrigado Tom, Obrigado Vinicius e, obviamente, Obrigado Heloísa.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

domingo, 4 de novembro de 2012

Escrito na pedra

Música do dia (em modo cinematográfico ou quase chuvoso)

...a melancolia dos sons espelha o cinzento que, lá fora, dá cor à cidade. A recompensa, em verbo improvável: "sofazar".

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Uma hora (e pouco) no Mercado

Mercado de Vila da Feira, Fernando Távora, 1953.


Távora, 18h00

Convento das Irmãs de Calais, ao cair do pano dos dias que vão sendo cada vez mais o espaço da noite.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A cidade num novo despertar

No dia em que a hora muda, o sol desperta (de novo) e parece querer desafiar o movimento dos dias que encolhem. E eis que, com a luz que preenche o espaço, renasce a alma do mundo. E das pessoas, que voltam a habitar no exterior.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

E assim vai o tempo presente

Façam macumba, realizem feitiço, lancem cartas, dediquem-se a bruxaria, invertam o curso da história, façam os computadores crashar, bloqueiem a internet e o tráfego aéreo, rebentem com os modelos matemáticos de previsão da meteorologia, mas parem com isto! Cancelem a chuva! É pedir muito?

...de qualquer modo, no meio de tudo, é uma grande música. Para ficar a ouvir. E desfrutar.


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A realidade em cores de Wenders

Demasido complexo. Há mundo desse modo. Oculto, não revelado. Essa vida esconde-se? Disfarça-se? Não se mostra na totalidade, é certo! Nem se faz entender. Num jogo de palavras e imagens, desafia o tempo e o entendimento. E ela - a vida - move-se ao lado deste - do tempo -, acompanhada. Melhor seria que assomasse à janela e se mostrasse, completa, total. Como o sol que nasce todas as manhãs, só para fazer vibrar os dias. O que seria se também este se mantivesse atrás de imagens que o representassem ou de palavras que o codificassem? Poderia o dia nascer a partir de uma fotografia dos raios solares ou de uma frase que os descrevesse? Impossível!