quinta-feira, 25 de outubro de 2012
A realidade em cores de Wenders
Demasido complexo. Há mundo desse modo. Oculto, não revelado. Essa vida esconde-se? Disfarça-se? Não se mostra na totalidade, é certo! Nem se faz entender. Num jogo de palavras e imagens, desafia o tempo e o entendimento. E ela - a vida - move-se ao lado deste - do tempo -, acompanhada. Melhor seria que assomasse à janela e se mostrasse, completa, total. Como o sol que nasce todas as manhãs, só para fazer vibrar os dias. O que seria se também este se mantivesse atrás de imagens que o representassem ou de palavras que o codificassem? Poderia o dia nascer a partir de uma fotografia dos raios solares ou de uma frase que os descrevesse? Impossível!
Aforismos roubados
Penso que a arquitectura é uma questão de transformação. Transformação de todas as situações adversas em condições favoráveis.
Balkrishna Doshi (1927), arquitecto indiano
Balkrishna Doshi (1927), arquitecto indiano
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Música do dia
Estradas percorridas?
O território, ilimitado, como cenário?
Tudo tragicamente desolador: as pessoas, as relações humanas, as vidas, a paisagem, os ambientes?
Sim, comprovadamente.
Mas a música é imensa. E, por entre as imagens, a poética sobrevive a tudo isso. Como a diferente realidade da vida. Pacificadora.
O território, ilimitado, como cenário?
Tudo tragicamente desolador: as pessoas, as relações humanas, as vidas, a paisagem, os ambientes?
Sim, comprovadamente.
Mas a música é imensa. E, por entre as imagens, a poética sobrevive a tudo isso. Como a diferente realidade da vida. Pacificadora.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Sempre presente, como companhia
Acordava a meio da noite com a certeza do mar a chamar-me através das persianas fechadas, voltava a cabeça na direcção da janela e sentia-o a olhar para mim conforme o som dos pinheiros a olhar para mim (...).
António Lobo Antunes, in Não é meia Noite Quem Quer
António Lobo Antunes, in Não é meia Noite Quem Quer
Continuamente, em movimento, sem paragem
O exercício deliberado da escolha - tomada de decisões - é a actividade central da existência. Quanto mais um organismo vê multiplicarem-se as ocasiões de exercer uma escolha, mais alto se coloca na hierarquia da vida (...). Estar vivo é tomar decisões.
Hassan Fathy (1900-1989), arquitecto egípcio
Hassan Fathy (1900-1989), arquitecto egípcio
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Inspirações
A empatia com a cidade produz-se a partir do inesperado.
Pequenas coisas, surpreendentes, chamam a atenção, numa qualquer encruzilhada urbana. A surpresa interpela, é desafiadora, convoca os sentidos e a imaginação. A imagética urbana é rica. Nunca é estéril. Pobre. A cidade é inspiradora. Inspira-te!
domingo, 21 de outubro de 2012
É hoje, agora.
Na manhã de domingo que corre, já instalada há horas, há mundo para conquistar lá fora. Calmamente acordam-se os sentidos. A dolência inspiradora do ar cizento, que se fixa em cada fragmento do ar, convida para o matinal café deste dia em que parece que nada se move. O domigo é assim. Mas o café é bom.
sábado, 20 de outubro de 2012
Palavras do dia (de ontem)
Eu não procuro nada em ti,
nem a mim próprio, é algo em ti
que procura algo em ti
no labirinto dos meus pensamentos.
Eu estou entre ti e ti,
a minha vida, os meus sentidos
(principalmente os meus sentidos)
toldam de sombras o teu rosto.
nem a mim próprio, é algo em ti
que procura algo em ti
no labirinto dos meus pensamentos.
Eu estou entre ti e ti,
a minha vida, os meus sentidos
(principalmente os meus sentidos)
toldam de sombras o teu rosto.
O meu rosto não reflecte a tua imagem,
o meu silêncio não te deixa falar,
o meu corpo não deixa que se juntem
as partes dispersas de ti em mim.
Eu sou talvez
aquele que procuras,
e as minhas dúvidas a tua voz
chamando do fundo do meu coração.
Manuel António Pina
o meu silêncio não te deixa falar,
o meu corpo não deixa que se juntem
as partes dispersas de ti em mim.
Eu sou talvez
aquele que procuras,
e as minhas dúvidas a tua voz
chamando do fundo do meu coração.
Manuel António Pina
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Aforismos roubados
Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas. Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam.
Padre António Vieira, in Sermão do Bom Ladrão
Padre António Vieira, in Sermão do Bom Ladrão
Lá fora, na cidade
É o tempo que arrefece. Lá fora, já o conforto da manhã se foi. Onde pára? Para onde se move? Onde encontrá-lo. São dúvidas que as mãos não temem. Continuam. Permanecem. E não por obrigação, que o trabalho não reclama para além do papel que lhe é deixado. A vida não vive no seu espaço e nos seus limites. Não se deixa aprisionar. Vive livre. E livres são as mãos, que se sabem confortáveis. Não pela temperatura, que essa parece querer baixar, mas pelo sol que ainda brilha. E esse sol à solta ainda ilumina a rua, a cidade, os sorrisos, a essência da vida. Ainda vive. Ainda acompanha os passos dos pés que se movem. Mesmo se o frio toca as mãos. Sobretudo, se o frio toca as mãos.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Sobre a areia da praia, demoradamente
Que pressa faz sentido ter, quando os pés sentem conforto e pedem para permanecer. Tudo em roda aparenta parecer-se com o que está em redor. A vida tem tempo. Não espera demasiado. A vida é. Acontece. E aqui também. Certamente por aí, o mesmo. Desse lado. Numa outra tela ou diafragma. Numa outra imagem. Permanecer. Vê-se. E azul é a cor. A do mar. Ali ao lado. Perto. Sente-se.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
O estado de ser sob este céu pesado
A 6 de Outubro de 2009, escrevia, citando Henry Miller.
Sem teorizar, era o título do post:
Sem teorizar, era o título do post:
Alguns pressentem a chuva; outros contentam-se em molhar-se.
...e eu queria simplesmente que este cinzento que abraça todos os tons, neutralizando-os, se abrisse em gargalhadas de cor e sol. Onde anda o estado solar do mundo?
...e eu queria simplesmente que este cinzento que abraça todos os tons, neutralizando-os, se abrisse em gargalhadas de cor e sol. Onde anda o estado solar do mundo?
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
sábado, 13 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Migrações e boas vindas
migrar
(latim migro, -are, passar de um lugar para outro)
v. tr. e intr.
1. Deslocar-se para outro lugar, país ou região.
v. tr.
2. [Informática ] [Informática ] Fazer a transferência de (dados ou informação).
Num tempo em que todos se sentem, Este blog não se sente incomodado. Sente que lhe escapam temas, motivos, frases, músicas, imagens. Mas não faz caso. Vê-os a por aí. Migram para outras paragens. Circulam. Deixam de lhe pertencer, sendo já de outros, que os incorporam ou assumem como seus.
Não reclama. Observa, Pensa. Fica tranquilo. Parece-lhe bem que aquilo que já foi seu passe para outros. Que a partilha se alargue e o universo possa explodir - não numa gargalhada, como esperava Jeremias, o tal, o fora da lei - mas em limites mais vastos. Mesmo que seja apenas o universo reduzido de alguns bits, de alguns sectores do sistema binário, de algumas parcelas de memória RAM, de algumas batidas de teclado, de alguns olhos fixados no ecrã, de algumas ideias que se tornam convergentes, de alguns sorrisos que se abrem com o sentido que encontram no que não era seu e passa a ser. Tudo se passa. Tudo pode ser aqui, mas num outro local também.
Sinto que já nada é meu. E então?! Agrada-me que seja deste modo. Não porque, como refere Ricardo Reis, tudo se passará independentemente do que eu pense sobre o que se passa, mas porque me agrada pensar deste modo sobre o que se passa. Passa-se assim e eu gosto. Gosto, porque gosto. Porque me agrada gostar. Porque nada disto é só meu. E o desejo de boas vindas será sempre o acolhimento. Até porque está sol. E a chuva foi-se.
You are welcome!
(latim migro, -are, passar de um lugar para outro)
2. [
Num tempo em que todos se sentem, Este blog não se sente incomodado. Sente que lhe escapam temas, motivos, frases, músicas, imagens. Mas não faz caso. Vê-os a por aí. Migram para outras paragens. Circulam. Deixam de lhe pertencer, sendo já de outros, que os incorporam ou assumem como seus.
Não reclama. Observa, Pensa. Fica tranquilo. Parece-lhe bem que aquilo que já foi seu passe para outros. Que a partilha se alargue e o universo possa explodir - não numa gargalhada, como esperava Jeremias, o tal, o fora da lei - mas em limites mais vastos. Mesmo que seja apenas o universo reduzido de alguns bits, de alguns sectores do sistema binário, de algumas parcelas de memória RAM, de algumas batidas de teclado, de alguns olhos fixados no ecrã, de algumas ideias que se tornam convergentes, de alguns sorrisos que se abrem com o sentido que encontram no que não era seu e passa a ser. Tudo se passa. Tudo pode ser aqui, mas num outro local também.
Sinto que já nada é meu. E então?! Agrada-me que seja deste modo. Não porque, como refere Ricardo Reis, tudo se passará independentemente do que eu pense sobre o que se passa, mas porque me agrada pensar deste modo sobre o que se passa. Passa-se assim e eu gosto. Gosto, porque gosto. Porque me agrada gostar. Porque nada disto é só meu. E o desejo de boas vindas será sempre o acolhimento. Até porque está sol. E a chuva foi-se.
You are welcome!
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Porque gosto de publicidade
Viver como na publicidade. Mais do que na publicidade. Entre casas, paredes e ruas. Na cidade. Na vida. Porque a publicidade não é mais do que a própria vida. Com essência e clareza, é de vida que fala. É vida que emerge em cada imagem. Com liberdade.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
domingo, 7 de outubro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
O mar é largo
"(...)
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais..."
Antero de Quental, in Sonetos
Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais..."
Antero de Quental, in Sonetos
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Imagens que correm mundo
Baixar defesas - a cidade e a vida como cenário.
Foto de José Manuel Ribeiro - REUTERS; Lisboa, 15 de Setembro.
Foto de José Manuel Ribeiro - REUTERS; Lisboa, 15 de Setembro.
sábado, 22 de setembro de 2012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
E hoje o dia terminou com cores de irrealidade no horizonte...
...no mar, mais um pôr-do-sol de absoluto laranja e indizível beleza.
Projectos
http://www.facebook.com/?react=AQBXgiOj1btaQ1oy#!/photo.php?fbid=409900875731873&set=a.262588867129742.68686.147583101963653&type=1&theater
A Rua da Estrada
Na estrada tudo se vende, tudo se compra. Os significados acumulam-se no limite da faixa de rodagem, desde que a vida se mudou para a margem do asfalto. É uma visão caleidoscópica, um retrato de um país e das suas gentes, aquele que se capta, em movimento, ao volante. Não é rua nem estrada, será um transgénico, proscrito pelos defensores da rua da cidade tradicional e maldito pelos que vociferam contra a diminuição da velocidade de circulação - imposta pela vida que se acumula e movimenta ao longo dos quilómetros. Mas existe.
Depois do livro de Álvaro Domingues e do seu inteligente e poético olhar sobre o povoamento que se vai amarrando aos eixos de circulação, o filme.
Depois do livro de Álvaro Domingues e do seu inteligente e poético olhar sobre o povoamento que se vai amarrando aos eixos de circulação, o filme.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
Self Portrait
Há muitas coisas que percebo que não sou, mas dizer exactamente o que sou não consigo. Tento, dia a dia, ganhar o título de ser uma pessoa. E já não é pouco.
José Luís Peixoto
José Luís Peixoto
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
...agora.
Há sempre um céu intenso, mesmo quando as estrelas se deslocam para Sul. Que a mais luminosa de todas, a Polar, lhes brilhe no caminho.
Assinar:
Postagens (Atom)














































