quinta-feira, 13 de junho de 2013

E assim faço esta tarde


Hoje está de sonho

Uma imagem para o dia.
No tempo e no espaço, todas as horas, todos os momentos, todos os horizontes, todas as possibilidades,, todas os mundos, todas as vidas. Todos os sonhos.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Hoje está de poesia (os múltiplos sentidos musicais)


Sobre mim cavalgas

cingindo-me os flancos 

Colhes à passagem
a luz do instante

De dentes cerrados

ondulas, avanças, 

retesas os braços,

comprimes as ancas.

Depois para a
frente 

inclinas-te olhando
o que entre dois ventres

ocorre entretanto,
e o próprio galope

em que vais lançada

Que lua te empolga

Que sol te embriaga

Lua e sol tu és 

enquanto cavalgas 

amazona e égua 

de espora cravada
no centro do corpo

Centauresa alada 

com os seios soltos

como feitos de água.

Queria bebê-los 

quando mais te dobras

Os cabelos esses 

sorvê-los agora

Mas de cada vez
que o rosto aproximas 

já é outra a sede
que me queima a língua:
A de nos teus olhos 

tão perto dos meus
descobrir o modo 

de beber o céu. 


David-Mourão Ferreira , in Música de Cama

Os limites são um equívoco

Poucas coisas me fazem ficar acordado até depois das 2h00, na véspera de um normal dia de trabalho, em frente à televisão. Mas esta noite foi diferente. Estabeleço uma relação diferente com o sofá, quando as ondas percorrem o ecrã com a cadência das manobras que o ocupam. As imagens retêm-me quando a mestria faz parecer fácil o que nunca farei na vida, mesmo que tenha 7 como os gatos e receba outra de bónus numa qualquer promoção que me brinde generosamente ao abastecer num qualquer posto aderente. E foi assim. E Kelly recompensou-me. Tem sempre essa atenção para com os que o esperam. É gentil e cortês, quando se trata de assunto de ondas. Contraria todos os burocratas. Todas as manifestações rotineiras, quotidianas e do porque-sim.
Porque quem faz por fazer, faz mal. Porque se tem de começar, não é motivo! Será um começo para nada fazer ou para fazer mal. A excelência é atingida quando o prazer é lido nos membros da equação.
Slater, ontem à noite, nas ilhas Fiji, foi assim apanhado quando, com 41 anos, disputava mais uma prova que acabou por ganhar, contra o seu adversário de 32.
Com um misto de admiração e entusiasmo, a imagem ficou-me como símbolo ou metáfora. Sobretudo, como uma lição.
Limites?
Alguém falou de limites?
Diverte-te e ultrapassa-te. Reproduz a imagem da felicidade.



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aforismos roubados

"A vida pode mudar a arquitectura... No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples."

Oscar Niemeyer

quarta-feira, 5 de junho de 2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

A cidade acontece

Em noites de (quase) Verão,
com o rio ali ao lado,
com as luzes vertidas na água,
com as encostas e as arquitecturas vendo-se ao espelho como quem procura refrescar-se,
com o ar que toca a pele confortavelmente, na varanda, com ritmo de jantar,
mas, sobretudo, com as mãos de Sokolov evocadas pela memória, ainda vibrante, de como a Casa foi brilhante e belissimamente da Música.

Quem sabe...


O dia a deixar de ser


quinta-feira, 30 de maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

As rodas em que a cidade roda


Copenhaga, 05.2013




Hoje está de poesia


O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.

Mia Couto, Demora in idades cidades divindades

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Voar

(latim volo, -are)
v. intr.
1. Mover-se e manter-se no ar por meio de asas.
2. Mover-se e manter-se no ar por meios mecânicos.
v. tr. e intr.
3. Deslocar-se em meio de transporte aéreo.
v. intr.
4. Flutuar, pairar.

...ou simplesmente subir na latitude, viver e descobrir. Há sempre qualquer coisa que fica para trás em cada regresso. Porque uma parte da alma ficará sempre nos locais que seduzem e prendem. Deve ser isso que alimenta a vontade de voltar. De voltar sempre.

Cidades

A Norte, a luz macia que enche o espaço e revela a vida em cada rosto. O conforto tem nome de beleza: Copenhaga.

Hoje está de poesia

Vi as mulheres
azuis do equinócio
voarem como pássaros cegos; e os seus corpos
sem asas afogarem-se, devagar, nos lagos
vulcânicos. Os seus lábios vomitavam o fogo
que traziam de uma infância de magma
calcinado. A água ficava negra, à sua volta;
e os ramos das plantas submersas pelas chuvas
primaveris abraçavam-nas, puxando-as num
estertor de imagens. Tapei-as com o cobertor
do verso; estendi-as na areia grossa
da margem, vendo as cobras de água fugirem
por entre os canaviais. Espreitei-lhes
o sexo por onde escorria o líquido branco
de um início. Pude dizer-lhes que as amava,
abraçando-as, como se estivessem vivas; e
ouvi um restolhar de crianças por entre
os arbustos, repetindo-me as frases com uma
entoação de riso. Onde estão essas mulheres?
Em que leito de rio dormem os seus corpos,
que os meus dedos procuram num gesto
vago de inquietação? Navego contra a corrente;
procuro a fonte, o silêncio frio de uma génese.



Nuno Júdice, Encantamento

quinta-feira, 2 de maio de 2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013