terça-feira, 28 de maio de 2013
Hoje está de poesia
O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.
Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.
Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.
Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.
Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.
O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.
Mia Couto, Demora in idades cidades divindades
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Voar
(latim volo, -are)
v. intr.
1. Mover-se e manter-se no ar por meio de asas.
2. Mover-se e manter-se no ar por meios mecânicos.
v. tr. e intr.
3. Deslocar-se em meio de transporte aéreo.
v. intr.
4. Flutuar, pairar.
...ou simplesmente subir na latitude, viver e descobrir. Há sempre qualquer coisa que fica para trás em cada regresso. Porque uma parte da alma ficará sempre nos locais que seduzem e prendem. Deve ser isso que alimenta a vontade de voltar. De voltar sempre.
v. intr.
1. Mover-se e manter-se no ar por meio de asas.
2. Mover-se e manter-se no ar por meios mecânicos.
v. tr. e intr.
3. Deslocar-se em meio de transporte aéreo.
v. intr.
4. Flutuar, pairar.
...ou simplesmente subir na latitude, viver e descobrir. Há sempre qualquer coisa que fica para trás em cada regresso. Porque uma parte da alma ficará sempre nos locais que seduzem e prendem. Deve ser isso que alimenta a vontade de voltar. De voltar sempre.
Cidades
A Norte, a luz macia que enche o espaço e revela a vida em cada rosto. O conforto tem nome de beleza: Copenhaga.
Hoje está de poesia
Vi as mulheres
azuis do equinócio
voarem como pássaros cegos; e os seus corpos
sem asas afogarem-se, devagar, nos lagos
vulcânicos. Os seus lábios vomitavam o fogo
que traziam de uma infância de magma
calcinado. A água ficava negra, à sua volta;
e os ramos das plantas submersas pelas chuvas
primaveris abraçavam-nas, puxando-as num
estertor de imagens. Tapei-as com o cobertor
do verso; estendi-as na areia grossa
da margem, vendo as cobras de água fugirem
por entre os canaviais. Espreitei-lhes
o sexo por onde escorria o líquido branco
de um início. Pude dizer-lhes que as amava,
abraçando-as, como se estivessem vivas; e
ouvi um restolhar de crianças por entre
os arbustos, repetindo-me as frases com uma
entoação de riso. Onde estão essas mulheres?
Em que leito de rio dormem os seus corpos,
que os meus dedos procuram num gesto
vago de inquietação? Navego contra a corrente;
procuro a fonte, o silêncio frio de uma génese.
Nuno Júdice, Encantamento
azuis do equinócio
voarem como pássaros cegos; e os seus corpos
sem asas afogarem-se, devagar, nos lagos
vulcânicos. Os seus lábios vomitavam o fogo
que traziam de uma infância de magma
calcinado. A água ficava negra, à sua volta;
e os ramos das plantas submersas pelas chuvas
primaveris abraçavam-nas, puxando-as num
estertor de imagens. Tapei-as com o cobertor
do verso; estendi-as na areia grossa
da margem, vendo as cobras de água fugirem
por entre os canaviais. Espreitei-lhes
o sexo por onde escorria o líquido branco
de um início. Pude dizer-lhes que as amava,
abraçando-as, como se estivessem vivas; e
ouvi um restolhar de crianças por entre
os arbustos, repetindo-me as frases com uma
entoação de riso. Onde estão essas mulheres?
Em que leito de rio dormem os seus corpos,
que os meus dedos procuram num gesto
vago de inquietação? Navego contra a corrente;
procuro a fonte, o silêncio frio de uma génese.
Nuno Júdice, Encantamento
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Hoje está de poesia
Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.
(Vontade de ser barco ou de cantar.)
Eugénio de Andrade, Húmido de beijos e de lágrimas
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.
(Vontade de ser barco ou de cantar.)
terça-feira, 2 de abril de 2013
Shape your soul
(contra)cultura(s) @ Driftwoodcollective - Figueira da Foz.
Uma improvável ex-oficina de automóveis, onde se junta a fotografia, a gravura, a pintura, a produção de skates e de pranchas de surf, por entre o convívio, boas conversas e momentos de descontração. Com todo o sentido que só pode ser o da vida.
Uma improvável ex-oficina de automóveis, onde se junta a fotografia, a gravura, a pintura, a produção de skates e de pranchas de surf, por entre o convívio, boas conversas e momentos de descontração. Com todo o sentido que só pode ser o da vida.
quarta-feira, 27 de março de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
Celebrar a mulher, em dia de poesia
A Mulher Mais Bonita do Mundo
estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.
entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.
entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.
há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás tão bonita hoje.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.
entro na casa, entro no quarto, abro o armário,
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.
entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.
há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.
estás tão bonita hoje.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.
os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.
de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"
quarta-feira, 20 de março de 2013
Primavera, aqui
Os sorrisos, os dias e a luz brilham com o sol que deixa uma vida mais intensa pelos espaços e com as pessoas. De novo, o ano renasce.
terça-feira, 19 de março de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
Permanecer sob o céu
O céu criou a mulher para conter a fermentação da nossa alma, para dulcificar os nossos desgostos e o nosso mau humor, e para nos tomar melhores.
Voltaire
Voltaire
quinta-feira, 14 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Aforismos roubados
É possível ser-se bem sucedido na repressão dos pensamentos e desejos (...). mas os resultados são manifestamente desastrosos. (...) Viver plenamente os seus desejos e, ao fazê-lo, modificar subtilmente a natureza destes, é o objectivo de todo o indivíduo que aspira a desenvolver-se.
Henry Miller
Henry Miller
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Não é o dia que deixa de ser...
...é o momento que se faz na beleza frágil, porque transitória, que permanece na fina superfície do olhar, com brilho. E com isso dura. Para além da duração real.
Assim corre o Inverno.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
A Casa com Música
Esta noite, Brad Meldhau e Kevin Hays deram um sentido pleno à Casa, que foi enorme e brilhantemente da Música.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Há Música na Casa
Final de dia. A cidade lá fora. Sons. Fotogramas. Música. Filmes, Cinema mudo. Imagens musicadas. Cor sonora. Monocromatismo. Desarticulação. Convergência. Deriva. Encontro. Beleza. Improvável. Expressão. Muita. A cidade de novo. Um pouco de conversa sobre a praça. A avenida que desce. E a noite que se fecha.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
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