segunda-feira, 30 de setembro de 2013

No tempo que deixo para trás

Noutras paragens, noutras ruas de cidade, noutras latitudes. A Norte. Sem o perder. Mas a perder o sol. Nem sempre o tempo está de feição, a favor ou amigável. Amável. O mar fica para trás e os ventos são menos auspiciosos. Mas a vida também acontece fora das rotas habituais. E a arquitectura também. Por vezes de modo irónico, quando os elementos se zangam. Assim é com o Serpentine Pavillion 2013. A verdade é que em Londres chove no Verão. A verdade é que por ali o céu se abre, sobretudo em Outubro, quando a festa acabar e tudo se desmontar. Chove em Outubro e chove em Setembro. Sem atrasos, como cá pelo Sul. Onde tudo se comporta de um outro modo, agora que a nortada se foi. E a chuva ainda vai parando. E o mar está sempre ao virar da esquina. Disponível. Também na cidade. Nem todos os nortes são iguais. Gosto que seja assim. E de contrastes. E de Hyde Park, mesmo com a relva molhada e o verde mais intenso. Até com chuva. Até quando as gotas rompem as boas maneiras e vêm parar perto do meu café, na mesa para onde nào foram convidadas. Ainda que as deixe para trás. Intrusas. A verdade é que há tanta beleza no pavilhão como na chuva que rompe a desmaterialização da estrutura e do volume de cor branca.




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Agora...

..no disco que se movimenta em círculos e ocupa o ar da tarde.

Hoje

Por causa da chuva, o dia acordou e continua cinzento.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

In between

Entre a paixão de duas portuguesas, revelada sob a forma A Portuguese Love Affair para ser descoberto por londrinos em pedaços de Portugal e dos seus maravilhosos produtos e sabores; e uns habitantes indecisos quanto à natureza dos números inteiros. Tudo é possível nas feiras de domingo, numa manhã pela cidade. Até falar português - Demoradamente. Boa sorte para essa aventura e que o português se conserve vivo em Columbia Road.


Entre o Candelabro e a Taxca

Roteiros nocturnos. Entre o dia que deixa de ser e a noite que se assume, quer ser e permanece. Ali para os lados da cidade que não pára de mexer, renovando-se e abrindo-se a descobertas. Descobrindo novas gentes e espaços. Deixando permanecer com a calma de um final de dia, experimentado devagar por entre a rotina que se vai desvanecendo e um banco de rua que se instala em mim. Para que o copo de vinho branco respire e viva, anunciando a descida para a larga montra que anuncia ou deixa adivinhar, pelos presuntos suspensos do tecto, que os sabores são tradicionais e recomendam um regresso. Pelo meio, a rapariga da loja e o blogger fotógrafo estabelecem contactos de ocasião, em palavras breves, mas sorridentes, e disparos dirigidos, à procura das imagens pretendidas. É assim, a cidade. O inesperado cruza-se num aparente sentido, cujo sentido não parece existir. Porque nunca é programado. Simplesmente acontece. A cidade acontece. Nos seus espaços e com as suas gentes. Com calor, porque não.




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Som do dia...

...a pensar no mar e com saudades do Rio.


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

De volta à VIDA

De volta à vida, porque, a Sul, resgatei metade da alma que todos os anos deixo por terras vicentinas. Porque "metade da minha alma é feita de maresia"* e a outra metade se reencontra no tempo que passa devagar. A Sul.  Nas tardes que morrem sem pressa, entregues à dolência que alimento como se sem ela não houvesse vida. Nas noites que se alimentam do silêncio que apenas ao marulhar da ondulação é permitido interromper. Nas estrelas que fazem brilhar a escuridão em que o mais profundo mergulho parece a mais apropriada decisão. Na praia e no seu ritmo lento. Na areia fina e extensa que prolonga a maré baixa. Nos poros que se enchem de sal. Na transparência atlântica que as quilhas separam como se só assim o sentido do mar fosse encontrado. Na brisa que se anuncia na pele como quem se faz notar sem distrair. Nas cores e nos tons dos momentos que se mostram como se a suspensão tempo fosse o único modo de lhes fazer justiça. Na visão que se perde no infinito com a certeza de que o mar é largo.Nos gestos e modos simples a que a informalidade dá morada. Na temperatura fresca de copos temperados por apetecíveis aromas vínicos. No convívio à volta do carvão em que o peixe ganha sabor. No terraço que se entrega à profundidade do horizonte. Na familiaridade encontrada em cada gesto, sorriso, esquina ou lugar.  No conforto de saber que para lá desta terra há uma outra terra a que a justiça do mundo quis chamar Alentejo para que a sua beleza separasse do mundo e da rotina.
Porque há a certeza de sempre voltar. Porque metade da minha alma fica sempre presa ao Sul. A desejar um regresso anual. Na calma que ali é esperada. Sempre esperada. A Sul.

*Sophia de Mello Breyner

















quinta-feira, 18 de julho de 2013

Está bem assim

Faço parte de uma geração tremendamente regressiva, obcecada com a infância e a adolescência, uma geração de nostalgias precoces, de revivalismos patéticos, e na qual muita gente, especialmente os homens, vive um complexo de Peter Pan. Conheço homens de 40 anos que ainda se referem às mulheres da sua idade como «raparigas», como se fossem as «jeunes filles en fleurs» proustianas, e não as «femmes de trente ans» de Balzac... não é cavalheirismo, é hábito, fantasia, melancolia.”
Tive a minha «crise de meia-idade»... porque... ainda me confrontava com uma ideia típica da juventude: a ideia de que a vida só é digna quando vivida na «felicidade». Qualquer entrave a esse desfecho parecia-me uma catástrofe.”
Já sei que não sou melhor nem pior do que os outros, sei ao milímetro aquilo que valho, sei perfeitamente que não vou deixar vestígio, que desapareço quando morrer a última pessoa que me conheceu. E nada disto é trágico.”
Na juventude, sem dúvida, acreditei que era «especial», nem sei bem em quê, que a minha geração era «diferente», que iríamos fazer grandes coisas. Agora tenho colegas e amigos obscuros e célebres, advogados, desempregados, romancistas, ministros, e somos tão especiais ou tão pouco como aqueles que vieram antes de nós e os que virão depois, «génios-para-si-mesmos sonhando», gente banal, como é toda a gente.”
Claro que «errei todo o discurso de meus anos», e preferia ter acertado. Mas tentei e fracassei, o que também não está mal, e merece uma medalhinha pela comparência. Pelo menos evitei o destino daquele colega que de vez em quando encontro no cinema e me diz: «detesto a minha vida», «detesto o que faço», «estou farto do meu casamento». E eu ouço-o e despeço-me com aquela frase vazia típica de pessoas com 40: «Havemos de jantar um dia destes».”
... Pessimista e misantropo, é verdade que vou ficando sozinho. Mas... não compreendo esse medo de ficar sozinho, que me inquietava ainda... Ficamos sozinhos quando somos exigentes. Ficamos sozinhos quando não mentimos. Ficamos sozinhos quando defendemos as nossas convicções. É um preço que estou disposto a pagar. E há, digamos, dez pessoas de quem gosto, dez pessoas sobre quem não me enganei, e dez pessoas é um mundo.”
E, entretanto, não faleci, o que também não estava garantido. Tenho ainda mais uns anos de esplendor inútil, não sei quantos, quem sabe se mais quatro ou quarenta. Está bem assim.”
 
Pedro Mexia, in edição de 1 de Dezembro de 2012 do Jornal Expresso

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Para suspender os sentidos

O dia a deixar de ser, com 30º.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

quinta-feira, 20 de junho de 2013

As cidades têm olhos de janelas...

...e passos que giram como rodas.
Com elas ou atrás delas move-se a liberdade, a descoberta, o inesperado e os mistérios da vida que se oferecem a cada vida.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Perante o horizonte

A janela dilata a vontade de ver, como uma expansão que quer conquistar a dimensão longínqua. Todo o horizonte, por estar longe, parece caber no interior da mão. Esta ilusão faz parte do sonho e, ao alimentá-lo, alimento também o desejo de partir. De não parar.
E o Báltico ali fora. Tão longe à partida, mas dando certeza à certeza de que os mares são só sete. Como as partidas do mundo - que só são grandes, se olhadas com olhos pequenos.
E aqui, no Museu Louisiana, as pálpebras abrem, enormes, ao pedaço de mundo roubado ao espaço do mundo.

Sem ondas? Usa a imaginação!


quinta-feira, 13 de junho de 2013

E assim faço esta tarde


Hoje está de sonho

Uma imagem para o dia.
No tempo e no espaço, todas as horas, todos os momentos, todos os horizontes, todas as possibilidades,, todas os mundos, todas as vidas. Todos os sonhos.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Hoje está de poesia (os múltiplos sentidos musicais)


Sobre mim cavalgas

cingindo-me os flancos 

Colhes à passagem
a luz do instante

De dentes cerrados

ondulas, avanças, 

retesas os braços,

comprimes as ancas.

Depois para a
frente 

inclinas-te olhando
o que entre dois ventres

ocorre entretanto,
e o próprio galope

em que vais lançada

Que lua te empolga

Que sol te embriaga

Lua e sol tu és 

enquanto cavalgas 

amazona e égua 

de espora cravada
no centro do corpo

Centauresa alada 

com os seios soltos

como feitos de água.

Queria bebê-los 

quando mais te dobras

Os cabelos esses 

sorvê-los agora

Mas de cada vez
que o rosto aproximas 

já é outra a sede
que me queima a língua:
A de nos teus olhos 

tão perto dos meus
descobrir o modo 

de beber o céu. 


David-Mourão Ferreira , in Música de Cama

Os limites são um equívoco

Poucas coisas me fazem ficar acordado até depois das 2h00, na véspera de um normal dia de trabalho, em frente à televisão. Mas esta noite foi diferente. Estabeleço uma relação diferente com o sofá, quando as ondas percorrem o ecrã com a cadência das manobras que o ocupam. As imagens retêm-me quando a mestria faz parecer fácil o que nunca farei na vida, mesmo que tenha 7 como os gatos e receba outra de bónus numa qualquer promoção que me brinde generosamente ao abastecer num qualquer posto aderente. E foi assim. E Kelly recompensou-me. Tem sempre essa atenção para com os que o esperam. É gentil e cortês, quando se trata de assunto de ondas. Contraria todos os burocratas. Todas as manifestações rotineiras, quotidianas e do porque-sim.
Porque quem faz por fazer, faz mal. Porque se tem de começar, não é motivo! Será um começo para nada fazer ou para fazer mal. A excelência é atingida quando o prazer é lido nos membros da equação.
Slater, ontem à noite, nas ilhas Fiji, foi assim apanhado quando, com 41 anos, disputava mais uma prova que acabou por ganhar, contra o seu adversário de 32.
Com um misto de admiração e entusiasmo, a imagem ficou-me como símbolo ou metáfora. Sobretudo, como uma lição.
Limites?
Alguém falou de limites?
Diverte-te e ultrapassa-te. Reproduz a imagem da felicidade.



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aforismos roubados

"A vida pode mudar a arquitectura... No dia em que o mundo for mais justo, ela será mais simples."

Oscar Niemeyer

quarta-feira, 5 de junho de 2013

terça-feira, 4 de junho de 2013

A cidade acontece

Em noites de (quase) Verão,
com o rio ali ao lado,
com as luzes vertidas na água,
com as encostas e as arquitecturas vendo-se ao espelho como quem procura refrescar-se,
com o ar que toca a pele confortavelmente, na varanda, com ritmo de jantar,
mas, sobretudo, com as mãos de Sokolov evocadas pela memória, ainda vibrante, de como a Casa foi brilhante e belissimamente da Música.

Quem sabe...


O dia a deixar de ser


quinta-feira, 30 de maio de 2013

terça-feira, 28 de maio de 2013

As rodas em que a cidade roda


Copenhaga, 05.2013




Hoje está de poesia


O amor nos condena:
demoras
mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.

Mia Couto, Demora in idades cidades divindades

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Voar

(latim volo, -are)
v. intr.
1. Mover-se e manter-se no ar por meio de asas.
2. Mover-se e manter-se no ar por meios mecânicos.
v. tr. e intr.
3. Deslocar-se em meio de transporte aéreo.
v. intr.
4. Flutuar, pairar.

...ou simplesmente subir na latitude, viver e descobrir. Há sempre qualquer coisa que fica para trás em cada regresso. Porque uma parte da alma ficará sempre nos locais que seduzem e prendem. Deve ser isso que alimenta a vontade de voltar. De voltar sempre.

Cidades

A Norte, a luz macia que enche o espaço e revela a vida em cada rosto. O conforto tem nome de beleza: Copenhaga.

Hoje está de poesia

Vi as mulheres
azuis do equinócio
voarem como pássaros cegos; e os seus corpos
sem asas afogarem-se, devagar, nos lagos
vulcânicos. Os seus lábios vomitavam o fogo
que traziam de uma infância de magma
calcinado. A água ficava negra, à sua volta;
e os ramos das plantas submersas pelas chuvas
primaveris abraçavam-nas, puxando-as num
estertor de imagens. Tapei-as com o cobertor
do verso; estendi-as na areia grossa
da margem, vendo as cobras de água fugirem
por entre os canaviais. Espreitei-lhes
o sexo por onde escorria o líquido branco
de um início. Pude dizer-lhes que as amava,
abraçando-as, como se estivessem vivas; e
ouvi um restolhar de crianças por entre
os arbustos, repetindo-me as frases com uma
entoação de riso. Onde estão essas mulheres?
Em que leito de rio dormem os seus corpos,
que os meus dedos procuram num gesto
vago de inquietação? Navego contra a corrente;
procuro a fonte, o silêncio frio de uma génese.



Nuno Júdice, Encantamento

quinta-feira, 2 de maio de 2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A comprovar, com urgência...

Dizem que começou a época balnear.

quinta-feira, 11 de abril de 2013